Como montamos as cartas de jogadores
A conta aberta por trás das cartas do StatsArena — inclusive onde ela erra.
Última atualização: 19 de agosto de 2026
O que é uma carta
Uma carta do StatsArena é o resumo do desempenho de um jogador em uma temporada, dentro de uma competição específica. Não é uma nota de carreira nem uma avaliação de mercado. Um mesmo atleta pode ter cartas diferentes no mesmo ano se atuou em mais de uma competição, porque os números são calculados dentro de cada uma.
Todos os valores vão de 0 a 100 e são derivados das estatísticas reais registradas nas partidas. Nada é atribuído manualmente e nada vem de opinião.
Percentis: a base de tudo
O erro mais comum ao pontuar jogadores é comparar números absolutos. Dez gols significam coisas muito diferentes para um atacante e para um zagueiro, e para uma liga com média de 3,2 gols por jogo e outra com 2,1.
Por isso a base da carta são percentis calculados dentro do grupo de comparação: mesma posição, mesma competição, mesma temporada. Um valor 70 em "gols por 90 minutos" quer dizer que o atleta está acima de 70% dos jogadores da mesma posição naquela competição naquele ano — e nada além disso.
Nas páginas do site, esses valores aparecem como percentis nos fundamentos individuais: gols por 90, precisão de chute, sucesso no drible, taxa de defesa, entre outros.
Componentes: agrupando os percentis
Percentis isolados são ruidosos. Um jogador pode ter um número alto de bloqueios só porque o time defende muito. Para reduzir esse ruído, os percentis relacionados são combinados em componentes — os eixos que aparecem no radar e no rodapé da carta:
- Finalização — o que o jogador faz quando a chance de gol aparece.
- Participação ofensiva — o quanto ele está presente nas jogadas de ataque.
- Criação — passes que geram chance, não apenas passes certos.
- Distribuição e progressão — qualidade e verticalidade do passe.
- Um contra um e segurança com a bola — duelos, dribles e perdas.
- Recuperação e participação defensiva — desarmes, interceptações, bloqueios.
- Disciplina e agressividade — faltas e cartões.
- Goleiro — defesas e pênaltis, calculado apenas para arqueiros.
- Perfil — regularidade, disponibilidade, experiência e presença física.
O overall
O OVR é a nota única da carta. Ele pondera os componentes de acordo com a posição do atleta: finalização pesa muito num atacante e pouco num zagueiro; recuperação de bola faz o caminho inverso. Goleiros são avaliados por um conjunto próprio, em que defesa e distribuição dominam.
Cartas com OVR igual ou superior a 85 recebem o fundo escuro especial; as demais usam o dourado. É uma distinção puramente visual, sem efeito no cálculo.
A posição vem de onde o jogador realmente atuou
A posição usada para escolher o grupo de comparação não vem de um cadastro fixo do atleta, e sim das partidas da temporada. Só quando não há esse registro é que recorremos à posição declarada no elenco.
Isso importa: um lateral improvisado no meio-campo durante uma temporada inteira é comparado a meio-campistas, que é o que ele de fato foi naquele ano.
As limitações que assumimos
Toda metodologia tem pontos cegos. Estes são os nossos, e preferimos declará-los a fingir que não existem:
- Amostra pequena distorce. Um jogador com poucos minutos pode aparecer com percentis extremos em qualquer direção. As páginas de carta indicam quando a minutagem é baixa em relação aos demais da posição.
- Ligas não são comparáveis entre si. Um OVR 80 numa competição regional não equivale a um OVR 80 numa liga nacional de elite. O percentil é sempre interno à competição.
- O que não vira evento não é medido. Movimentação sem bola, marcação por posicionamento e liderança não aparecem no scout e, portanto, não entram na conta. É a mesma limitação que discutimos no guia sobre notas de jogadores.
- Cobertura estatística varia. Competições menores têm menos campos preenchidos, e atributos sem dado ficam vazios em vez de receber um valor inventado.
- A carta descreve o passado. Ela mede o que aconteceu na temporada, não o potencial nem o valor de mercado do atleta.
Como usar
A leitura mais útil de uma carta não é o OVR: é o contraste entre o atributo mais alto e o mais baixo. Dois jogadores com o mesmo overall podem ter perfis opostos, e é essa diferença que descreve o que cada um entrega em campo. Por isso as páginas de carta destacam os dois extremos em texto, além do gráfico.